a estréia de SUPER DRAGS na Netflix |🌈

A animação nasceu de uma conversa despretensiosa entre os criadores, Fernando Mendonça e Anderson Mahanski, enquanto aguardavam o metrô numa sexta-feira após o trabalho no Combo Estúdio, há mais de dois anos.

'Super Drags' estreia na Netflix — Foto: Divulgação/Netflix
‘Super Drags’ estreia na Netflix — Foto: Divulgação/Netflix

A ideia era mostrar as diferentes vozes que existem na cena gay. Na segunda-feira seguinte, eles já tinham o conceito do desenho quase pronto na mesa do produtor-executivo Marcelo Pereira.

Com vozes de drags como Pabllo Vittar e Silvetty Montilla, a animação conta, em cinco episódios, a história de três heroínas. Safira é o coração, Lemon é o cérebro, e Scarlet é a força.

Suas personalidades buscam mostrar diferentes aspectos da comunidade. Enquanto Lemon é a mais vivida que ajuda a família no fim do mês e sensualiza assim que coloca peruca, Safira ainda não saiu do armário por causa do pai.

'Super Drags' estreia na Netflix — Foto: Divulgação/Netflix
‘Super Drags’ estreia na Netflix — Foto: Divulgação/Netflix

O humor ácido que busca testar limites, pensado para o público LGBT, “Super Drags” não poderia ser pensado para crianças. Tanto que recebeu classificação indicativa para 16 anos.

Fonte: https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2018/11/09/super-drags-desenho-para-adultos-sobre-drag-queens-super-heroinas-estreia-apos-criticas.ghtml

Trailer/Teaser

COMENTÁRIO CRÍTICO | ADORO CINEMA

Criada por Anderson MahanskiFernando Mendonça e Paulo Lescaut, a trama acompanha as aventuras de Donizete, Patrick e Ralph, que se transformam em Scarlet Carmesin, Lemon Chifon e Safira Cyan — poderosas drag queens que protegem a comunidade LGBT com muito humor. Desde o piloto, já dá para perceber que essas protagonistas estão longe de serem modelos exemplares de heroínas. Estamos diante de personagens cercadas por situações politicamente incorretas, imagens explícitas e piadas sexuais.

Logo, é burrice pensar que tal atração foi destinada para o público infantil. Super Dragssurge para se comunicar com o povo da internet, fazendo várias referências com a cultura LGBT, brincando com elementos da sociedade brasileira e espalhando representatividade através da zoeira. Como esperado, a série começa bem introdutória e com um humor quase bobo, até que, aos poucos, traz umas críticas bem bacanas sobre homofobia, mídia e os padrões estéticos da sociedade. Por ter apenas cinco episódios, não aprofunda muito nessas questões, mas já passa sua mensagem (e não se torna cansativa!). Um dos grandes arcos da animação envolve um grupo religioso extremista promovendo a “cura gay”. Vai causar polêmica. Vai incomodar muita gente. Mas é hilário.

O lado técnico do show também traz alguns detalhes bem interessantes. Um dos acertos é ver como os looks (e poderes) das protagonistas combinam com suas personalidades. Além disso, certas escolhas demonstram como se trata de uma inusitada paródia de outros desenhos famosos. Fãs vão perceber inspirações visuais em As Meninas SuperpoderosasSailor MoonTrês Espiãs Demais e até Power Rangers — só que com uma temática nada infantil, é claro. A ideia é simplesmente aproveitar o formato animado para criar cenas bem insanas e piadas para adultos. Não há nada errado com isso.

Por sua vez, o roteiro afiado cai como uma luva para os dubladores. Os três protagonistas fazem ótimas performances, mas o destaque fica com Fernando Mendonça (também criador e diretor da obra), bem confortável dando voz hilária para Scarlet, que certamente vai se tornar meme. Pabllo Vittar consegue se dar bem como a cantora Goldiva, enquanto Silvetty Montilla brilha e diverte no papel de Vedete Champagne.

Resumindo, Super Drags é uma boa pedida para você que deseja distrair a mente ou simplesmente rir com os amigos. É close certo!

Fonte Adoro Cinema

 

TRANSEXUAIS são assassinadas sob gritos de “Bolsonaro presidente” | RESISTÊNCIA!✊

O Coletivo Arouchianos realizou ato em memória de Priscila e Laysa (Coletivo Arouchianos)

Créditos da foto: O Coletivo Arouchianos realizou ato em memória de Priscila e Laysa (Coletivo Arouchianos)

Nestas eleições, três transexuais já foram assassinadas a facadas por eleitores e apoiadores de Jair Bolsonaro. A primeira delas foi Priscila, morta no Largo do Arouche, centro de São Paulo, na madrugada de 16 de outubro. Em entrevista cedida à Ponte Jornalismo, uma testemunha, que preferiu não se identificar, declarou que ouviu gritos em apoio ao candidato do PSL na hora do crime.

“Eu abri a janela e consegui ver que tinha umas quatro ou cinco pessoas discutindo na frente do bar. Estavam gritando, chamando de prostituta, vagabunda, agressões verbais que não lembro. E ouvi, sim, o nome de Bolsonaro nessa hora, de ‘Bolsonaro presidente’, essas coisas”, relatou a fonte. “No meio da briga, ouvi ‘com Bolsonaro presidente, a caça aos ‘veados’ vai ser legalizada’”, disse outra testemunha. A travesti foi levada até a Santa Casa de Misericórdia, no centro da cidade, mas não resistiu.

Dois dias depois, Laysa Fortuna, mulher transexual de 25 anos, foi esfaqueada na região do tórax, na noite de 18 de outubro, em Aracaju (SE). Os que estavam próximos no momento afirmam que o agressor dizia que, se Bolsonaro fosse eleito presidente, todas as pessoas trans e travestis seriam mortas.

O ferimento de Laysa provocou hemorragia, o que a levou a ter uma parada cardíaca no dia seguinte. Apesar dos esforços da equipe médica do Hospital de Urgência Sergipe (Huse), não foi possível reanimá-la.  O agressor, identificado como Alex da Silva Cardoso, chegou a ser detido, mas posteriormente foi liberado.

A ocorrência foi tipificada como lesão corporal leve, porém, após a denúncia de ativistas LGBTs que procuraram o Departamento de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV), a prisão de Alex foi decretada e qualificada como homicídio. Ele está foragido.

Com requintes ainda maiores de crueldade, no dia 21 de outubro, a travesti Kharoline foi assassinada em Santo André, na região metropolitana de São Paulo. Ela foi ferida com facadas na região da virilha por um grupo de homens. De acordo com o coletivo LGBT Arouchianos, que organizava um ato em memória de Laysa e Priscila no momento em que Kharoline foi assassinada, também há relatos de que os criminosos exaltaram a figura de Bolsonaro.

Segundo Helcio Beuclair, coordenador político do Coletivo Arouchianos, há uma grande articulação dos ativistas LGBTs para cobrar uma investigação severa dos casos.

“Depois que o candidato Jair Bolsonaro ganhou uma projeção nacional no segundo turno, os discursos dele chancelam mais expressões de ódio e ataques baseados no ódio contra a população LGBT. Assim como o racismo, como foi o caso de Moa de Katendê, assinado em Salvador. Quando ele fala que vai combater a ideologia de gênero não é o gênero dele, o masculino, e nem o da mulher dele, o feminino, vai combater aquilo que ele vê como aberração, nas palavras dele inclusive, que são as pessoas trans”, diz Beuclair.

Para Keila Simpson, presidenta da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), a candidatura de Bolsonaro é forjada em um discurso de ódio e de ataque, mas não propõe nada. Apesar do receio com a possibilidade de sua eleição, ela declara que as LGBTs não têm medo e continuarão resistindo.

“Mesmo que ele nunca tivesse falado qualquer coisa que refletisse negativamente na população trans, já seria uma ameaça porque é uma candidatura que não tem plano de governo, é uma candidatura que não abre diálogo. É uma candidatura que se forjou com fake news e com o discurso pautado em uma mídia que nunca faz uma cobertura imparcial”, critica Simpson.

“Essas pessoas que estão violentando, matando, esfaqueando, machucando as pessoas, estão alimentados por esse discurso que o candidato tem e teve durante toda sua carreira política de 27 anos sem fazer absolutamente nenhum projeto interessante. Isso resulta exatamente na naturalização da violência que vemos no Brasil polarizado”.

A presidenta da Antra destaca que a população trans está à margem da sociedade e não possuem leis que garantam seus direitos. Para ela, os assassinos de pessoas trans cometem o crime pela garantia da inimputabilidade e pela falta de investigação, não tratada como prioridade pelo Poder Público.

Violência cotidiana

Levantamento feito pela Antra revelou que 179 pessoas trans foram assassinadas no Brasil em 2017, o que, de acordo com a organização, coloca o Brasil na liderança no ranking mundial de assassinatos de travestis e transexuais.

As estatísticas de 2018 são ainda piores. Somente no primeiro semestre, houve 86 assassinatos,  que envolveram, em sua maioria, vítimas do gênero feminino, negras e prostitutas em condição de vulnerabilidade. Houve ainda 29 tentativas de assassinato, 7 casos de suicídio noticiados pela mídia e 33 casos de violações dos direitos humanos.

Erika Hilton, travesti eleita para a Assembleia Legislativa de São Paulo, ressalta que a estrutura transfóbica da sociedade precede a ascensão política de Bolsonaro, já que mulheres trans, principalmente, são agredidas todos os dias no país, independente da figura do candidato do PSL em destaque.

No entanto, para a deputada estadual, é inegável que Bolsonaro impulsiona ainda mais os episódios de violência.

“Agora eles encontraram um líder, um ‘Deus’ para seguir. Agora eles matam em nome de alguém. Tem uma motivação porque o pensamento transfóbico está legitimado pelo Estado e esse é o grande problema. Nosso medo também é pela legitimidade que o Estado dará à sociedade de matar, de estuprar, de violentar e de agredir esses corpos”

A reportagem solicitou posicionamento do Ministério Público de São Paulo sobre o assassinato de Priscila e Kharoline, mas ainda não obteve resposta.

Edição: Diego Sartorato

*Publicado originalmente no Brasil de Fato

 

[LUTO | 1 ano] Em memória de Itaberlly Lozano morto e carbonizado por ser homossexual | ⚣❤

❝ Por ser gay eu fui traído por aqueles que disseram ser minha família. Por ser gay eu fui odiado até o último momento de vida. Por ser gay eu não fui um bom filho, é o que a mamãe sempre dizia.

Por ser gay eu lutei contra todos os estigmas. Por ser gay eu rejeitei opiniões alheias ao meu respeito. Por ser gay em algum momento, em vida, eu revidei os tapas, os insultos, as críticas.

Por ser gay me tiraram a vida, me afastaram dos meus sonhos, me roubaram dos meus amigos. Por ser gay esvaziaram minha cesta de sorrisos e aqueles que precisavam das minhas gargalhadas hoje estão chorando sentindo minha falta.

Por ser gay minha mãe me deu uma facada, me viu morrer, me viu sangrar enquanto meu corpo agonizava. Por ser gay meu padrasto me arrastou até um canavial, me ateou fogo, tentou se livrar dos meus restos mortais.

Por ser gay eu deixei o mundo mais cedo, nunca terei a chance de ir a lugares que eu não conheço. Por ser gay eu fui uma vítima, eu tive meus motivos para lutar, não fui santo, mas não mereci sentir o meu corpo a queimar.

Por ser gay eu não serei o último, depois de mim muitos como eu serão ceifados. Por serem gays eles serão sequestrados, atacados, queimados, talvez esquartejados. Por serem gays, na maioria das vezes, eles não terão ninguém ao lado. Por sermos gays, entenda uma coisa, estamos sendo mortos e ninguém está fazendo nada.

Por ser gay eu fui embora e eu não voltarei mais, cuidem do meu corpo, façam justiça para que eu descanse em paz. ❞

— Em memória de Itaberlly Lozano,
Assassinado pela Mãe. Carbonizado pelo Padrasto.

Autor do texto, Igor Ruzo.

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29 de Agosto – Dia Nacional da Visibilidade Lésbica ⚢

“Nós, lésbicas, seguimos fetichizadas nas ruas e na mídia”

Em meio ao avanço da onda conservadora, mulheres homossexuais pedem visibilidade e respeito.

Em geral vistas pela sociedade por meio das lentes do ódio ou do fetiche, as mulheres lésbicas buscam visibilidade em meio à crisepolítica, à perda de direitos e à ondaconservadora.

Há 21 anos, um coletivo de mulheres resolveu questionar a invisibilidade deste setor da sociedade, recorrente até mesmo em espaços progressistas, por meio do primeiro Seminário Nacional de Lésbicas, realizado no Rio de Janeiro. A data, 29 de agosto, ficou marcada como o Dia da Visibilidade Lésbica. De lá para cá, não houve avanços expressivos nas demandas e nos desafios enfrentados por elas.

“Seguimos fetichizadas nas ruas e na mídia e a nossa sexualidade segue sendo infantilizada e banalizada, uma vez que a sociedade patriarcal só acredita no modelo heteronormativo de relação e afeto. Tal modelo legitima assédios, violências e a nossa total invisibilização, colocando, desta forma, nossas vidas em risco a todo momento”, explica Natalia Pinheiro, 27 anos.

No continente americano, a violência contra lésbicas é movida principalmente pela misoginia e a desigualdade de gênero, como constatado historicamente nos relatórios sobre o tema produzidos pela Organização dos Estados Americanos (OEA). Entre as violências registradas estão o “estupro corretivo”, isto é, a violência sexual que objetiva “mudar” a orientação sexual da vítima, agressões devido a demonstrações públicas de afeto e internações forçadas visando “converter” a orientação sexual das vítimas.

Publicitária e produtora cultural, Pinheiro foi uma das organizadoras, ao lado de sua companheira Bru Isumavut, do Dyke Fest, festival lésbico feminista que reuniu bandas e promoveu discussões em São Paulo, no domingo 27, sobre os preconceitos que atingem essa população.

Confira a entrevista:  

CartaCapital: Como surgiu a ideia de organizar o Dyke Fest?
Natalia Pinheiro: Trabalho com projetos desse tipo há alguns anos. No ano passado, estava organizando o festival Maria Bonita Fest, junto com outras mulheres. Mas, em um determinado momento, por falta de tempo tive que priorizar alguns espaços e pautas, depois da experiência de construir um festival autônomo com foco em hardcore e punk rock, decidi junto com a minha companheira, montar o Dyke Fest, um festival lésbico feminista idealizado e realizado por mulheres lésbicas para fortalecer a cena underground LGBT.

CC: Qual é a importância do Mês da Visibilidade Lésbica?
NP: A importância da data remete a 29 de agosto de 1996, quando ocorreu o primeiro Seminário Nacional de Lésbicas no Rio de Janeiro, realizado pelo Coletivo de Lésbicas do Rio de Janeiro (COLERJ). A partir desta data, o dia nacional da Visibilidade Lésbica foi instaurado pelas ativistas presentes e, desde então, ativistas de lugares e ideais diferentes se unem em atos e atividades no Brasil inteiro. Muitas pautas discutidas em reuniões e também em marcha permanecem as mesmas. 

CC: Por que é necessário apontar para a questão a invisibilidade?
NP: Não possuímos dados precisos e de fontes confiáveis sobre a nossa situação que possa evidenciar a realidade inquestionável da violência que presenciamos no espaço público e privado todos os dias. É assim que a nossa invisibilidade se inicia.

Se não existem dados sobre a violência e a nossa condição social, não conseguimos criar justificativas para a implementação de políticas públicas ou qualquer tipo de ação direcionada para comunidade de mulheres lésbicas.

Por outro lado, seguimos sendo fetichizadas nas ruas e na mídias e nossa sexualidade segue sendo infantilizada e banalizada, pois a sociedade patriarcal só acredita no modelo heteronormativo de relação e afeto. Esse modelo legitima assédios, violências e a nossa total invisibilização, colocando a nossa vida em risco a todos os momentos.

CC: A invisibilidade permanece mesmo em movimentos sociais, setores da esquerda ou mesmo no feminismo?
NP: Sim, a esquerda ainda tem muita resistência em debater lesbianidade e a pauta LGBT como um todo. Em geral, criam setores que demandam a responsabilidade para algumas LGBTs, mas pouco constroem ou se preocupam realmente com a vida dessas pessoas.

CC: Na descrição do Dyke Fest vocês citam o atual contexto político brasileiro, marcado pela retirada de direitos e o avanço da extrema-direita e da bancada religiosa. Como este cenário impacta a mulher lésbica?
NP: As mulheres lésbicas são expostas a diversas formas de violência (físicas e psicológicas), mecanismos de exclusão na sociedade e, nas políticas públicas, ainda são pouco consideradas. A melhora das condições de vida da mulher lésbica depende do enfrentamento do sexismo e da lesbofobia que reforçam as desigualdades na sociedade brasileira.

Algumas politicas públicas que foram pautadas pelo movimento organizado de mulheres, mas, no atual cenário politico, pouco conseguimos avançar em relação a essas demandas urgentes que dizem respeito a vida de mulheres no Brasil inteiro.

CC: Quais seriam essas demandas?
NP: Por exemplo, ampliar o acesso e melhorar a qualidade do cuidado à saúde integral das mulheres lésbicas, realizar ações de formação sobre políticas públicas e acesso aos direitos, além de encontros para articular a agenda de enfrentamento ao racismo, sexismo e lesbofobia e outras formas de discriminação.

Também seria importante incentivar a produção de estudos, pesquisas e ações de mudança voltadas para o enfrentamento da lesbofobia, combater a evasão escolar de meninas lésbicas e produzir e difundir conteúdos não-discriminatórios e não-estereotipados das mulheres nos meios de comunicação, assim como promoção do acesso igualitário aos esportes e ao fomento às produções culturais, reconhecendo seu protagonismo e realizações nesses campos.

CC: Na sua opinião, falta atenção do poder público para as mulheres lésbicas? Quais políticas poderiam ser interessantes para esta parcela da sociedade?
NP: Sim. Além das já citadas, precisamos pensar na sensibilização das delegacias, para que as mulheres consigam fazer denúncias e procurar algum tipo de auxilio. Também precisamos pensar em casas de acolhimento para as jovens que são expulsas de casa na adolescência. Tal acolhimento é fundamental para que essa mulher supere esse abandono e consiga reconstruir a sua vida de forma autônoma.

Fonte: Carta Capital

[17 de maio] Dia Internacional Contra a LGBTfobia | Love is Love ✨🌸💖

*Por LGBT ser a sigla mais conhecida representando o movimento, deixarei ela no título do post, mas acrescento aqui que para mim a melhor sigla é o acrônimo prolongado ALGBTPQI+ por incluir todo o meio.*

No dia do Combate à LGBTfobia, lembremos de Dandara e Hérica, vítimas por darem cara à tapa a sociedade em Fortaleza.

Que a luta não seja apenas hoje, mas todos os dias. Não podemos esquecer que há todo momento alguém é espancado ou morto apenas por AMAR alguém do mesmo sexo. Até quando??? CHEGA!!!

CHEGA DE PRECONCEITO!!!

Que lindo seria se todos se amassem independente da orientação sexual, sem julgamentos, apenas amar…

Amar uns aos outros.
É o que mais precisamos.

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O que acontece quando seu filho é chamado de ‘gay’ na quarta série | Por Martie Sirois

Por Martie Sirois, do HuffPost Brasil

Acho que era inevitável. Mas esperava que não acontecesse. Meu filho de 9 anos tem consciência de que a maioria da sociedade acha inadequado que um menino tenha “coisas de menina”.

Embora ele tenha escolhido corajosamente uma mochila que combina com sua personalidade (gatinhos, corações e cupcakes explodindo em forma de um arco-íris brilhante), ele é excluído pelos amigos da quarta série.

Quase do dia para a noite ele foi obrigado a aprender a verdade cruel dos estereótipos de gênero. Na nossa casa, não temos brinquedos “de menino” ou “de menina”. Na nossa família de cinco, o entendimento é que temos apenas “brinquedos”, e todo mundo pode brincar.

Meu filho não se parece nem age como os outros meninos da idade dele. Aos nove anos, ele se identifica como “gênero-criativo”.

Isso significa que ele não quer mudar sua anatomia ou ser menina; simplesmente prefere as coisas que são marqueteadas para elas (como roupas, pijamas, sapatos, jogos, brinquedos, filmes, decoração e acessórios, só para mencionar alguns exemplos). E prefere estar entre as meninas.

Embora tenhamos a sorte de que a maioria das pessoas da escola do meu filho sejam legais, e apesar de ele receber vários elogios por causa da mochila, ele também é isolado.

É alvo de palavras maldosas, olhares tortos e frieza. Não só por causa da mochila, mas pelo que ela representa: sua personalidade.

Ela está nas sutilezas – como ele se retrai quando aparece um inseto, como dá gritinhos agudos quando está empolgado, como prefere meias três-quartos coloridas para usar com shorts. De alguma maneira isso está no DNA dele e o torna quem ELE É.

No mês passado, a frase foi ouvida pela primeira vez. Na hora do almoço, outro menino da quarta série passou pelo meu filho no refeitório e disse: “Você é gay“. Meu filho não respondeu. Ele ficou chocado e não sabia o que fazer.

Mas, quando me contou a história depois, estava morrendo de vergonha, se segurando para não chorar. Fiz a única coisa que sei fazer – o abracei, o ouvi e disse:

1) Não há nada errado com “gay”;

2) As palavras dos outros não te definem;

3) Por favor, continue me contando as coisas. Sempre vou te apoiar. Conversamos sobre o que fazer se aquilo acontecesse de novo, mas é sempre mais fácil planejar do que executar no calor do momento.

Estava me preparando para este dia, admito. O dia em que meu filho, em vez de ser chamado de “esquisito”, seria chamado de “gay”.

O dia em que associariam as tendências efeminadas do meu filho com homossexualidade, sendo que a sexualidade nem sequer está no radar dele. O dia em que usariam a palavra “gay” como o xingamento definitivo – um meio de intimidação, uma tentativa de emascular, humilhar, destruir outro ser humano que não se conforma a estereótipos de gênero; uma maneira de comunicar desgosto, nojo e intolerância.

Isso me irrita em vários níveis, mas principalmente porque meu filho sabe que a palavra “gay” não significa “burro”, como pensam várias outras crianças. Ele sabe o que a palavra significa porque temos vários amigos da comunidade LGBT em nossa vida familiar.

Ele já ouviu um deles falando do tormento que foram seus anos na escola. Ouviu histórias sobre as aulas de educação física, quando os meninos atléticos se impõem sobre os nerds, fracotes ou, especialmente, os efeminados. Também ouviu a história de outro amigo nosso que saiu do armário no ensino médio, nos anos 1980, quando a ameaça da Aids era combustível para a paranoia ignorante de nosso país e adolescentes gays eram expulsos de casa.

Ele sabe o tratamento terrível que essas pessoas enfrentaram, as agressões verbais e físicas que sofreram de parentes ou amigos da escola, às vezes de ambos.

E agora – agora –, ele sabe do massacre na boate Pulse, em Orlando. Pulse, um refúgio e santuário para a comunidade LGBT, no coração da Flórida. Orlando, a cidade da Disney World e dos sonhos, o “lugar mais feliz da Terra”.

Agora Orlando é conhecida como a cidade onde ocorreu o ataque com mais mortos na história dos Estados Unidos, o lugar onde ocorreu o pior crime de ódio contra a população LGBT americana na memória recente.

Meu filho sabe que nossa família é liberal e que não temos visões ultrapassadas e preconceituosas em relação aos gays.

Ele sabe que, quando começar a explorar sua sexualidade, nossa família tem apenas um pedido: seja feliz e bem tratado. Ele sabe que somos aliados da comunidade LGBT. Ele sabe, mas infelizmente saber não é suficiente.

Fui inocente ao achar que amá-lo o bastante e mostrar aceitação seria suficiente. Estou descobrindo que não é. Porque não importa o que eu o pai dele digamos, não importa o quanto o irmão e irmã mais velha digam que “vai melhorar”, ele ainda recebe uma mensagem clara de políticos, radicais religiosos, pares, adultos, mídia e mais: você não está protegido.

Agora, por causa de algumas palavras ditas negligentemente e que serão repetidas no futuro, meu filho é forçado a se perguntar se ele é gay, porque os outros meninos estão dizendo isso. Apesar de ele não saber o que é uma profecia autorrealizável, nunca o vi tão confuso ou ansioso.

É claro que a adolescência e a puberdade estão logo ali. Mas, além dos anos tumultuados da adolescência, meu filho vai ter a preocupação adicional do: “sou gay?” Ele sabe que nossa família não está nem aí e que vamos continuar lhe dando amor e apoio. Mas estou descobrindo que não vai ser uma fase fácil para ele, apesar de ser tudo OK para mim.

Ele não está protegido; ele estará sujeito a discriminação legal. Ele estará sujeito a crimes de ódio. Ele estará sujeito até mesmo à sutil (mas repetitiva e cansativa) discriminação do dia-a-dia. A maioria de nós não compreende os atos de discriminação mais sutis. Mas, quando você vê acontecendo com seu filho, é extremamente doloroso, porque você percebe que as pessoas nem sabem o mal que estão causando.

Para piorar as coisas, justamente quando acreditamos ter dado passos importantes em relação à aceitação da comunidade LGBT, andamos 40 anos para trás. Meu Estado natal da Carolina do Norte aprovou há três meses uma lei que impede pessoas transexuais a usar os banheiros do sexo com que se identificam.

É a pior lei anti-LGBT da história dos Estados Unidos. Estou fazendo tudo o que posso para combatê-la, ligando e escrevendo para meus deputados, criando um grupo de apoio para pais de filhos LGBT.

Mas sou só uma. Sinto-me sem forças contra a enorme onda conservadora atual – que não se abate e é cega à discriminação aberta (ou sutil) que nossos irmãos e irmãs LGBT enfrentam todos os dias.

O que é discriminação sutil? Ano passado, durante um leilão anual que acontece durante a reunião de pais e professores, meu filho e eu estávamos espiando as cestas que seriam leiloadas.

Ele parou para admirar uma delas: a da boneca American Girl. A cesta incluía uma boneca loira de olhos azuis, duas roupinhas e uma cama, cheia de laços e frufrus. O queixo do meu filho caiu. Ele nunca tinha visto essa boneca antes, e sempre fiz questão de esconder os malditos catálogos que chegavam em casa sem eu pedir. Tinha certeza de que ele iria querer uma, e não posso justificar o preço da boneca, muito menos dos acessórios. Mas lá estava ela, em toda sua glória americana.

Meu filho acariciou o cabelo da boneca, dizendo: “Você é tão linda. Queria que você fosse minha, para eu escovar seu cabelo”. Logo depois, uma mulher passou por nós, sorriu casualmente e disse:

“Oh! Essa vai deixar alguma menininha muito feliz!” Enquanto ela se afastava, meu filho sussurrou: “… ou um menininho…” Um comentário inocente, de uma pessoa bem intencionada, mas mesmo assim destrutivo porque até aquele momento meu filho ignorava o fato de que a maioria das pessoas acha que boneca é brinquedo de menina.

Igualmente, desde o primeiro dia em que ele usou sua mochila brilhante, várias crianças o olham torto. Os adultos também. Um adulto nos abordou no caminho da escola e comentou: “Você ficou com a mochila que era da sua irmã?”, dando risada com a esperteza da sua própria piada.

Meu filho olhou para o chão, envergonhado, enquanto eu dizia para o homem que “na verdade, foi meu filho que escolheu”. O constrangimento foi imediato, e demos de ombro. Depois do 18º ou 20º comentário do tipo, meu filho poderia simplesmente ter decidido esconder a mochila no armário.

Ele poderia ter voltado a usar a mochila antiga – um modelo azul pastel que ele não escolheu -, para passar despercebido entre os outros meninos.

Mas ele decidiu, com coragem e independência, não fazer isso. Todos os dias vejo meu menino da quarta série colocar nas costas uma mochila “de menininha”, como se fosse o escudo de um guerreiro. Esse nobre ato diário de rebeldia me convence de que talvez eu tenha feito algo certo.

Não queria que fosse assim, mas tenho de entender que não posso poupá-lo das acusações de “gay”. Não tenho como impedir que os outros meninos o ignorem, tirem sarro da cara dele ou digam: “Você não pode brincar com a gente”.

Não tenho como impedir que olhem torto. Não posso impedir que ele seja julgado. Não posso garantir a dignidade dele. Como mãe, corta o coração saber que seu filho tem de ser corajoso só para ser ele mesmo. Não tenho como impedir a discriminação sutil que mina a fundação dele, dia após dia.

Não tenho bem como oferecer proteção ou recursos legais contra essa discriminação. Apesar de tudo isso, apesar de conhecer os riscos de permitir que ele seja ele mesmo, não poderia ser de outra forma. Ele é exatamente o tipo de ser humano que quero criar.

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[LGBTFOBIA] Travesti torturada até a morte em Fortaleza causa comoção na internet

Mais uma travesti foi brutalmente assassinada no Brasil. Desta vez, estamos falando de Dandara dos Santos, de 42 anos, que morreu no dia 15 de fevereiro no fim da linha do Bom Jardim, em Fortaleza, Ceará, após ser covardemente espancada por cinco homens com paus e pedras.

Nas redes sociais, está circulando um vídeo que mostra a violência que Dandara foi submetida. As imagens foram feitas por um dos comparsas, enquanto os outros assassinos a espancam e pedem para ela subir em um carrinho de mão.

“Suba, suba! Não vai subir, não?!”, gritam agressivamente três homens, enquanto Dandara, sentada ao chão e chorando, mal consegue se mover. Um dos homens tira do pé desfere golpes na cabeça dela, aos gritos de “viado ‘fêi’”. A travesti sangra e tenta subir no carrinho de mão enferrujado apontado por seus algozes, mas não consegue, devido a tortura.

“Viado sem peito”, “imundiça” de calcinha e tudo”, são algumas das palavras usadas para humilhar Dandara, que já está completamente convalescida e com o corpo mutilado.

Em seguida, as agressões miram só a cabeça, que já está coberta de sangue. Um quinto homem surge com um pedaço de madeira e bate repetidas vezes nela, que já não se sustenta. Juntos, os cinco levantam Dandara, a jogam no carrinho e levam para o local do assassinato. “Eles vão matar o viado”, diz o cúmplice que gravava o vídeo.

Em entrevista ao blog de Neto Lucon, um dos ativistas mais importantes na defesa das pessoas transexuais, o inspetor Damasceno do 32º DP, afirmou que os seis acusados já foram identificados e que o vídeo ajudou na identificação.

“Esse vídeo também está circulando entre os policiais. São dois maiores de idade e quatro menores. Fomos no dia seguinte na casa deles, mas eles fugiram. O inquérito já está sendo bem apurado e estamos indo atrás”, declarou ele. Até agora ninguém foi preso. Segundo informações da Rede Trans, Dandara foi a quinta a travesti a ser assassinada no último mês.

Eu realmente não gostaria de compartilhar esse vídeo, porque as imagens são extremamente fortes. Mas nós precisamos fazer alguma coisa! Minha esperança é que esse artigo seja compartilhado o máximo possível, até chegar na timeline das pessoas que não fazem parte da nossa comunidade e, com isso, alertá-los de que precisamos de socorro e apoio, porque nós não podemos continuar perdendo a vida de travestis e homossexuais pelas ruas do nosso país.

Basta!

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