afinal, o que é LUGAR DE FALA? | RESUMÃO

o lugar de falar nada mais é o protagonismo de minorias, até mesmo em movimentos sociais, onde a pessoa que sofre o preconceito fala por si só em representação da própria luta e movimento. facilmente encontramos esse termo usado em debates na internet e militância de movimentos sociais em busca do fim da mediação.

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em contraposição do silenciamento da voz de minorias sociais por grupos privilegiados em espaços de debate público. utilizado por grupos que historicamente têm menos espaço para falar. assim, negros têm o lugar de fala sobre o racismo, mulheres sobre o feminismo, transexuais sobre a transfobia e assim por diante, em hipótese alguma o contrário e nem o ensinamento da luta dos mesmos, como o acontecido no Encontro com Fátima Bernardes, em que um homem da plateia quis ensinar o feminismo pela “experiência” que teve em perguntar a uma mulher feminista tocando-a onde ficava o banheiro e a mesma olhar torto, com essa experiência ele quis conceituar o movimento feminista como se nenhum homem pudesse redirecionar-se a uma mulher por segundo ele, olhar torto por ser feminista.

por fim, lugar de fala JAMAIS foi/é uma forma de opressão, e sim abertura para diálogos.

POLÍCIA: Servir e Proteger a Quem?

[casos verídicos]

16 de março de 2014, Cláudia Silva Ferreira, auxiliar de serviços gerais, foi morta e arrastada por 300 metros por uma viatura da PM, durante uma operação policial em Madureira.

24 de setembro de 2015, Herinaldo Vinicius de Santana, de 11 anos, morreu após ser baleado no Complexo do Caju. Ele estava correndo para comprar uma bola de pingue-pongue quando policiais de uma UPP o alvejaram.

29 de outubro de 2015, Jorge Lucas Paes, de 17 anos, e Thiago Guimarães, de 24, foram mortos na Pavuna, após um sargento da Polícia Militar confundir o macaco hidráulico que um deles carregava com uma arma.

28 de novembro de 2015, cinco jovens desarmados morrem vítimas de 81 disparos em Costa Barros, subúrbio do Rio. Os cinco amigos voltavam para casa após uma comemoração quando foram abordados por quatro policiais militares do 41º BPM (Irajá). Relatórios da ONU de 2017 apontam dimensão racial na violência no Brasil. “Dos 56 mil homicídios que ocorrem a cada ano, 30 mil envolvem vítimas de 15 a 29 anos de idade, dos quais 77% são afro-brasileiros.”

Vamos falar sobre racismo?

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[HOMOFOBIA] – Morto por seguidores do Bolsonaro na UFRJ

Rio – Um dos emails com as ameaças a alunos bolsistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) está circulando nas redes sociais e revela o tom de grupos conservadores que atuam dentro da instituição. O que chama a atenção é um trecho que diz que as ameaças serão cumpridas começando “por um certo aluno, que se diz minoria e oprimido por ser homossexual” e “Que odeia Bolsonaro”. O alvo da ameaça era o estudante de Arquitetura Diego Vieira Machado, 24 anos, encontrado morto neste sábado. As mensagens partiram de um computador no Canadá.


Segundo o estudante de Comunicação Pedro Paiva, diretor do DCE do curso, grupos fascistas e conservadores atuam há algum tempo na universidade e ameaçam alunos, professores e outros servidores. “Eles fazem comentários homofóbicos. Os banheiros são pichados com frases como ‘morte aos homossexuais, morte aos gays’. No banheiro da ECO (Escola de Comunicação) foi pichado “Morte aos gays da UFRJ”, disse.

Email mostra ameaça a bolsistas, gays e aponta que grupo conservador ‘ia começar por um certo aluno’

Nesta segunda-feira acontece uma sessão plenária entre decanos, que já estava marcada e conta com a participação de estudantes. Eles vão aproveitar e para tratar do assunto e cobrar providências.

De acordo com Pedro Paiva, algumas páginas no Facebook de grupos fascistas e conservadores já foram identificados: UFRJ da Opressão, UFRJ Livre e Liberta UFRJ. Ele reclamou da falta de segurança no campus do Fundão e de providência em relação aos grupos que pregam o crime de ódio. “São ameaças antigas. A gente já tinha ideia do que poderia acontecer. A morte do Diego é uma ideia do que a gente previa que poderia acontecer”, disse.

O reitor da UFRJ, Roberto Lehrer, classificou o crime de “bárbaro e perverso”. “Essas formas de expressão homofóbicas são inadmissíveis. Somos um espaço civilizatório e não podemos aceitar qualquer forma de intolerância que diga respeito a racismo e homofobia”, afirmou.

Ele citou uma mensagem de teor ameaçador contra gays que teria Diego Vieira Machado como alvo. O e-mail, que teria sido enviado de dentro da universidade, circula há dois meses e está sendo investigado pela Polícia Federal. O reitor disse que já se sabe que ele partiu de um computador do Canadá.

Fonte: http://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2016-07-04/email-para-estudantes-da-ufrj-ameaca-vamos-comecar-por-um-certo-aluno.html

“Não existe racismo no Brasil.”

Infelizmente, mais um fato real de racismo que aconteceu!

Vi o texto no facebook publicado pela própria contadora. Achei incrível a forma dela se expressar e a admiração de um desconhecido que ela recebe depois de passar pelo transtorno causado, então resolvi publicar aqui. E sim, o Brasil é um país racista!

“Gostaria de compartilhar com vocês o que aconteceu comigo nessa semana que passou:

Eu estava esperando o ônibus com a minha filha, quando percebi, uma mulher estava me oferecendo moedas. Eu perguntei: “O que é isso?” Ela disse: “Uns trocados pra você comprar alguma coisa pra sua filha”. Fiquei sem ação e apenas respondi: “Obrigada, mas eu não preciso. ” Ela: “Você não quer? ” Eu: “Não! ”  Até que finalmente se afastou não acreditando que eu tinha recusado as moedas.

No dia seguinte, saí novamente com Nina, minha filha. Eu ando com Nina envolvida em um tecido, muitos conhecem esse tecido como Sling, e sempre para entrar no ônibus eu peço pra abrir a porta traseira, pois com Nina no tecido não tem como passar pela roleta. Desta forma eu entro, me dirijo até o motorista, pago a passagem e movo a roleta com as mãos. Normal. O ônibus parou, e o motorista me disse que não ia abrir a porta traseira, disse que não podia, que as câmeras estavam filmando. Eu respondi: “Mas como assim? Todos os motoristas fazem isso pra mim? ” Ele respondeu: “Mas eu não faço! ”. Fiquei atônita, imaginei ficando sozinha com minha filha na parada, sem ter como ir para casa. Uma mulher gritou: “Motorista ela está com uma criança! ”. Alguém dentro do ônibus gritou “Motorista ela vai pagar! ” Quando ele ouviu isso, finalmente disse: “Ok, eu vou abrir, pode ir lá”

Reflitam, se fôssemos brancas, loiras, essas duas situações iriam acontecer? Porque aquela mulher achou que eu precisava de moedas pra comprar “alguma coisa” pra minha filha? Porque o motorista achou que eu não iria pagar a passagem? Porque outro dia a moça da farmácia me perguntou com cara de nojo “Você está deixando o cabelo da sua filha igual o seu? ”. Ah, o racismo não existe no Brasil né… nós vemos racismo em tudo. Sim!  Realmente o racismo está em tudo! No comportamento das pessoas, nos olhares, nos discursos torpes, no sistema de educação, nos padrões de beleza, está na história desse país…sim, está em tudo!

Procurar entender e saber mais sobre as questões raciais é importante, enaltecer a identidade e ancestralidade negra muito mais ainda!

Depois do que aconteceu, entrei no ônibus totalmente envergonhada, todos ali me olhavam. Até que um moço estiloso entrou, percebi que olhou para nós e sentou. De repente ele virou e me disse: “Moça, estou tomando coragem para falar, você e sua filha são incríveis! São lindas! Eu leio e acompanho o empoderamento negro, sou fotógrafo, faço parte de um projeto que faz fotos do cotidiano em Natal, fotos inesperadas, não me contive ao ver vocês. Por favor, posso fazer algumas imagens de vocês duas?” Com certeza aceitei e conversamos bastante sobre essas questões que muitas mães negras passam no dia-a-dia, sobre a importância de ter sabedoria em criar nossas crianças negras em um sistema racista. Nem contei pra ele o que aconteceu comigo antes dele entrar no ônibus, achei melhor falar agora que as fotos ficaram prontas e agradecer a você Ian Rassari. por me encher de alegria nesse dia e parabéns pelo lindo projeto de fotografia, muitas histórias ainda vão ser contadas através dessa iniciativa e inspirar as pessoas! <3"

Por Silvinha Alves

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